27 outubro 2020

Ideias novas em tempos bicudos

A pandemia isolou as pessoas e retraiu parte do mundo das finanças. Mas isso não impede o surgimento de novas ideias de negócios e investimentos.

As startups são uma bênção na economia. Mas precisam ter um pé na realidade

Por Oswaldo Melantonio Filho, Presidente da Mobility S/A

A pandemia isolou as pessoas e retraiu parte do mundo das finanças. Mas isso não impede o surgimento de novas ideias de negócios e investimentos. Ao contrário. O que não falta no mundo é dinheiro. Ele está sempre em busca de ideias promissoras para empreender, a despeito das crises econômicas.

Nesses tempos de alta tecnologia em que vivemos, é fácil notar como as startups despontam com frequência espantosa. Evidentemente, é preciso saber diferenciar aquelas com amplo potencial para se estabelecer e progredir. Algumas, à primeira vista, parecem um raro achado, mas esmaecem em um exame mais profundo. Não têm target ou demanda definidos nem consistência para longo prazo.

Em geral, as startups são criações de gente muito jovem, que, como tal, de um lado abraça um sadio impulso empreendedor de inovação e, de outro, pode sonhar em demasia, tirando os pés do chão. Há quem até imagine startups sem um business plan.

De minha parte, prefiro, antes de tudo, saudar o impulso empreendedor dos jovens. Ele é ótimo para o país. De cinco anos para cá, venho atuando como investidor em startups. O realismo da experiência me tem auxiliado a apostar naquelas que, mesmo nos tempos bicudos em que nos vimos navegando, vêm conseguindo superar os revezes — e crescer. Adquiri participações em quatro delas, que tomo a liberdade de descrever, em linhas gerais — sobretudo como prova de que boas ideias não estão imunes às intempéries da crise, mas podem singrar nela com a segurança de chegar, com vigor, ao seu destino.

Quem está isolado em casa acaba consumindo mais doces e isso envolve o compreensível temor de engordar. Eis aí o chamariz do Lowko, uma das quatro empresas que incorporei ao meu portfólio de investidor. Curto e aliciante, seu slogan inquieta: “o sorvete impossível”. Sim, impossível porque eis aí um sorvete que não engorda. Exatamente. Uma infinidade de testes resultou num produto com, no máximo, 1/3 das calorias dos congêneres, uma vez que é fabricado com ingredientes naturais e sem adição de açúcar.

A doçura do Lowko não requer química. É efeito do xilitol e eritritol, adoçantes naturais presentes em frutas e legumes. Ora, o Brasil é o quarto mercado do mundo em consumo de sorvetes e o segundo das Américas, perdendo apenas para os Estados Unidos. O impossível Lowko, portanto, despontou como uma possibilidade promissora, um negócio aliciante.

Outra tendência é o corte de custos nas companhias, claro. Diminui-se o que for possível em cada setor. No final das contas, a economia pode resultar altamente compensadora. É a regra do jogo. Por isso, resolvi investir na Mobicity, um serviço de valor agregado na gestão de transportes.

Suponha que seu funcionário esteja na rua a trabalho e precise de transporte rápido. Pois bem, a ferramenta digital da Mobicity analisa o trânsito de veículos local da área naquele exato momento e, também, o trajeto pretendido. Dessa maneira, consegue informar qual aplicativo sai mais em conta, no cotejo entre Uber, 99, Cabify e demais concorrentes. Ao cabo de um ano, a economia em transportes da companhia diminui em 30%. Que gestor esnobaria essa quantia?

Conseguir um preço justo é também o principal atributo da NexB. No caso, tanto para compra como para venda. A companhia é tão eficiente que já reúne 25 franqueados. Funciona sobretudo como parceira de pequenas e médias empresas, a quem presta serviços de compra, venda e avaliação de companhias. Ou seja, se você pretende adquirir uma empresa ou negociar a sua, a NexB analisa e propõe a transação mais indicada. A consultoria pode ser presencial ou online. Para fechar o negócio, a NexB também capta crédito, angaria investidores e implementa as movimentações bancárias. Em outras palavras, facilita e apressa todos os processos sem abdicar um milímetro sequer da segurança necessária.

Economizar não só tempo, como também dinheiro, é também a grande virtude da Eskolare, mais uma das startups de quem decidi adquirir participação. A empresa se dedica a um velho — e até então sem solução rápida — problema dos pais de crianças e jovens em idade escolar. No decorrer do ano letivo, eles se veem empurrados a discussões bizantinas no momento de comprar material escolar, uniformes, contratar transporte de alunos ou excursões, entre outras obrigações. Em geral, cada um desses produtos precisa ser negociado à parte, o que requer, acima de tudo, paciência.

A Eskolare oferece todos esses préstimos educacionais em uma única plataforma. São mais de 4 mil instituições, 248 fornecedores e 500 mil produtos e serviços. Transforma o que seria uma dor de cabeça em uma transação lépida e serena.

Quero fazer uma última consideração. Embora ideias novas sejam sempre bem-vindas, é preciso analisar prós e contras com absoluto rigor antes de abraçá-las. Por fim, recomendo aos jovens das startups controlarem a ansiedade. O resultado dos negócios não é instantâneo, ainda que excepcionalmente isso possa ocorrer. É preciso saber esperar por eles. Em geral, no mínimo cinco anos. Muitas vezes, dez.

Abrir
Como Posso Ajudar?
Olá 👋
Podemos te ajudar?